segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A outra metade do rosto.


“Não se tira o sapato antes de se chegar ao rio.” Tancredo Neves

Do outro lado do rio havia uma menina de longas tranças tão douradas como o sol.
Do outro lado do rio havia um gato de patas tão grandes como dois sobreiros abraçados. Do outro lado do rio havia um jardim tão belo como a beleza de um sorriso.
Saibas que todas as coisas são assim:
Do outro lado do lado do rio ainda há uma menina de longas tranças tão douradas como o sol mas já não há sol.
Do outro lado do lado do rio ainda há um gato de patas tão grandes como dois sobreiros mas já não estão abraçados.
Do outro lado do lado do rio ainda há um jardim tão belo como a beleza de um sorriso que já não existe.
Sabes porquê?
Em tudo há sempre dois lados: o bom e o mau. A alegria e a tristeza. A vida e a morte. O nascer e o morrer. E como tudo o rio também tem dois lados.
Assim como tu quando te beijam a outra metade do rosto.